quarta-feira, dezembro 8

sendo que não sou


eu não tenho essa cara.

a minha não é de pau,

não é de pedra.

não é dupla face.

não tenho esquema além

da mão no bolso.

que esconde, tímida,

surpresa - este imenso vazio.

e um farfalhar de dedos,

mil dedos,

ansiosos e escorregadios.

não tem mistério,

critério ou intenção.

sou feita de puro acaso,

um pouco de atraso

e sobra de atenção.


6 comentários:

Mai disse...

A questão talvez nem seja ser ou não ser, mas tornar-se. E você filosofa na poesia e eu sigo mastigando os seus versos.Você escreve fácil e para quase tudo que deseja, encontra metáforas que são como luva.
gostei bastante!

Ricardo Elia disse...

Imagens muito nítidas!!! Uou! Filmasso!

guru martins disse...

...ainda bem!!

bj

vanessacamposrocha disse...

bonito poema e mais bonita ainda a sua vida!

Luana disse...

Estava passeando pelos blogs por aí, e achei aqui! Gostei! :) Estou seguindo! Depois dá uma passada no meu pra conhecer!

Beijos :)

ociosoanônimoautorizado disse...

fosse tão de repente que quando crê desmente.