terça-feira, abril 27

Porte passado

Invejo o mochileiro
e sua mobilidade nas costas
de 32 quilos.

Eu e minha bolsa de mão
encerramos mais peso
do que se poderia suportar a não ser
assim: não sendo por inteiro;
arrastando-se. Como um caracol
que economiza espaço dentro de si.

(Ensaiado para reter-se quando necessário)

Sustentando a duras penas
a postura espectral de uma pluma.
Fardo de quem almeja, um dia, ocupar a casca
com uma casa modesta, móvel.
Feita para andar nas nuvens
ou em qualquer outro lugar.

6 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

On the Road...

Sérgio Luz disse...

quero uma dessas! das nuvens...

vanessacamposrocha disse...

mochila cheia de sonhos carrega leveza!

Geraldo de Barros disse...

Gostei, lindas palavras de um voz que soa tão original ;)

guru martins disse...

...bolsa de mulher
tem a densidade
de um buraco negro...

Mai disse...

Você filosofa, simples assim...
Ao que transcende no texto e nas entelinhas, pesamos mais e carregamos fardos adentro. Mesmo assim, andamos elegantemente com bolsas nas mãos e fardos (invisíveis) nas costas.

adorei o tom.