segunda-feira, maio 17

O caco de vidro ainda na boca

Que antes que eu começasse a falar
o que vim aqui,
caisse uma bigorna, um raio, um avião
Antes do centro, enquanto ainda falávamos de
banalidades e importâncias que não esta
Antes destas palavras tortas,
agora delicadamente
desvirtuando o que sinto
e te comunicando este sentimento alheio
que sem escolha assumo diante de você
De onde esperava luz, a neblina
da sua estranheza
O sentimento que não passa da barreira da sua pele
volta pra mim cansado, me pede satisfação
Não tenho, eu digo,
em silêncio enquanto recolho a chave do carro
Não posso te satisfazer, nem explicar
Como ter feito crescer um filho
que volta pra casa dizendo "assuma,
quem me trouxe vida, me mata"
Não posso, eu digo,
em silêncio enquanto solto o freio de mão
esperando uma ladeira, um abismo
Mas viro a esquina, nenhum caminhão,
nenhum acidente
Só estes estilhaços espalhados no tapete

4 comentários:

Mai disse...

Foi Lenine quem escreveu: "...uma vontade bigorna, um desejo martelo..." E restam cacos de vidro na boca que diz que por amor se nasce e morre.
E dessa palavra que explode em mil pedaços se faz um poema, belo e cortante poema.
A linguagem se espreme ou se mastiga entre os dentes e a língua, mas o desejo e a dor se exprime assim.

abraços, Luanne

Juan Moravagine Carneiro disse...

cacos de vidro na boca...

E olha que achava que "A boca que beija é a mesma que escarra" de Anjos era visulamente intensa...


abraço

Luka disse...

"I can't eat, I can't sleep
I can't sleep, I can't dream
An aversion to light
Got a fear of the ocean
Like drinking poison, like eating glass"

me lembrou na hora essa música do bloc party

guru martins disse...

...dramático...

bj