quinta-feira, maio 13

A nova geografia

Meu país é um lugar imaginário
o conheço de cor, de noites insones
de devaneios diurnos
o reconheço em olhos alheios
que tomo emprestados para pintar bandeiras
azul, verde, castanho, límpidas
como se fossem compatriotas - talvez sejam
Meu país é um gesto
este toque no teu rosto, meu país
meu patriotismo
Meu país é transportável
e os fantasmas dos meus pais,
os deixei atrás
Como estátuas mudas em praças vazias
Meus pais em corpo e carne viva,
os visito de vez em quando
E vou a suas casas saindo a tempo
de me manter distante
evitando possíveis invasões
Meu país é um terreno, uma palavra,
o mundo, lugar nenhum, aqui dentro
Eu, desertora do país dos meus pais,
busco a liberdade de demarcar novos
contornos. Meu país não tem fronteiras
prévias, apenas cercas que delibero situar
ou romper
e assim me liberto, desperto e proclamo
absoluto silêncio
Ser

5 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Talvez uma "nômade psíquica"...

belo poema...!

Abraço

Luka disse...

Li esse poema na primeira vez que postou. Rs. Gostei, por uma catarse do assunto

vanessacamposrocha disse...

um país no peito!

guru martins disse...

...seus pais foram seu país
que te dera sua casa sua rua
seu bairro sua cidade
e voce ganhou o mundo
fortalecida desperta
fazendo maior esporro
com seu silêncio
preenchendo o espaço
com seu tempo...

bj

Mai disse...

O amor é um País e o estrangeiro em nós.

bjo e boa semana