terça-feira, dezembro 29

Naquele dia

Eu quase entrei na água, lembra? Mas

o mar estava frio, eu não tinha biquíni

Em pouco tempo o sol se poria

e o vento poderia


Quase entrei no mar, mas depois

não secaria o corpo

antes de entrar no carro

Não queria molhar o banco, grudar areia no pé

sentir o sal na boca. E se viesse um tubarão

ou uma água-viva


Quase tirei a roupa

nadei nua

rolei na areia

sujei o carro


Mas no canto do olho: o calçadão

me esperando completamente seca

e impecável


De repente já era noite


4 comentários:

Mai disse...

É Luanne, um poema quase hoje de um quase ontem de um quisera e talvez amanhã, né?
E parece que estamos todos assim, retrovisando a vida 12 horas ao dia e prevendo o futuro nas 12 restantes.
Você escreve verdade e por isto toca-me o timo, a emoção. Eu sinto você quando leio e isto é bom porque você é como luz em gruta funda, saca?
Obrigada pelas palavras e sentires compartilhados. Um ano bom e melhor prá todos nós.
ter encontrado tua trilha foi um dos achados de minhas andanças néticas.

Luka disse...

Quase se divide em duas, como quem não quer viver um sonho. Quer sonhar a vida.

Marcela Bertoletti disse...

Sabe? Eu acho que vc devia ter entrado. Nada mais revigorante do que o contato da pele com a água gelada. O contraste entre o calor do corpo e o mar frio, naquele momento em que se prende a respiração e depois o mergulho. Que se dane o calçadão e qualquer expectativa! rs. Vale a pena.
Mas a dúvida rendeu um belo poema!
E isso é sempre bom!

Sérgio Luz disse...

concordo. devia mesmo.