terça-feira, junho 1

A nova solidariedade


"O direito do Outro à sua estranheza é a única maneira pela qual meu próprio direito pode expressar-se, estabelecer-se e defender-se. É pelo direito do Outro que meu direito se coloca. ‘Ser responsável pelo Outro’ e ‘ser responsável por si mesmo’ vêm a ser a mesma coisa. Escolher as duas coisas e escolhê-las como uma, uma só atitude indivisível, não como duas instâncias correlatas mas separadas, é o significado de reformular a contingência de sina em destino. Chamem a isso como quiserem: camaradagem, identificação imaginativa, empatia; só não podem dizer dessa opção que ela decorre de uma regra ou comando, seja uma injunção da razão, uma norma empiricamente demonstrada pelo conhecimento que busca a verdade, uma ordem de Deus ou um preceito legal.

Por sinal, não há muito o que dizer absolutamente sobre a causa disso. A nova solidariedade do contingente baseia-se no silêncio. Suas esperanças fundam-se em evitar fazer certas perguntas ou procurar certas respostas; satisfaz-se na sua própria contingência e não quer elevar-se ao status de verdade, necessidade ou certeza, sabendo muito bem (ou melhor, sentindo intuitivamente) que não sobreviveria a tal promoção”.


Zygmunt Bauman, em Modernidade e Ambivalência.

5 comentários:

Luka disse...

Anda respirando Bauman mesmo

As três últimas linhas é ponto-chave

Juan Moravagine Carneiro disse...

Zygmunt Bauman sempre adentrar em questões interessantes...

Se tratando de "modernidad" ele é uma fonte interessante!

abraço

Marcela Bertoletti disse...

Muito Bom!
Bauman realmente sabe das coisas!

luizgiban disse...

Sinto um Bauman deslocado de um contexto maior. Precisaria ler mais para opinar. Precisaria confabular mais para saber o quanto posso concordar com toda uma turma que salienta a idade do pensador/filósofo em questão e também um certo teor reacionário de suas proposições.

ociosoanônimoautorizado disse...

pode ser esse o limiar do que se diz humano... e através do afeto. a gente precisa de um outro pra existir. afinal, a diferença nos revela.

mas ainda acredito que, de uma forma geral, a gente só partilhe de um caos em constante acontecimento. e de repente o outro não tenha essa função tão cristã e egoista de ser nós. o que também é maravilhoso. libertador até.