terça-feira, outubro 20

Superolho

Tem um monstro no meu armário
grudado na porta dos vestidos
Nem Joana D'Arc se atreveu a vir
quando eu disse três vezes
que a tinha matado
(dos medos o menor)
O monstro é um olho gigante
não pisca
Um olho de peixe que disforma
meu eu bicho do mato
Ele foge - meu eu
me deixa cara a cara
com um reflexo vazio
rodeado por cinco olhos
Um gigante, dois cegos
e dois sem dono
O olho do peixe vigilante
cega minha luz íntima
com um holofote pálido
Eu não gosto de espelhos
porque são impessoais
e rudes
Suspendem minha respiração
que nem um peixe fora d'água

3 comentários:

vanessacamposrocha disse...

muito bom!!
abraços (olho no olho no monstro)

eduardozorzal disse...

esse monstro escorre no tempo

...a inocência é dádiva, tudo mais a gente compra, muitos de nós a perdemos, bem como a pureza. Minha ironia e alegria são o preservativo da pureza e inocência, só assim as perdas não me esvaziam... disse...

...olhe pra ele
mas olhe mesmo
ria
faça careta
desafie
pisque um olho pra ele
ele vai ver que
vocês são cúmplices
e matéria da mesma essência
e vai devolver a piscadela
com um ar de riso
parecido com o seu
nesse momento
talvez você até chore
não de dor
mas de beleza
todo pensador/a
é narciso
mas nem todo narciso
é pensador/a...

bj